
Espanha, meados da década de quarenta do século passado, em pleno regime fascista de Franco onde impera a lei do terror e todos os bens essenciais são racionados para melhor controlar o povo. Nas montanhas de Navarra, um grupo de rebeldes resiste heroicamente a este regime, personificado no filme pela figura de Vidal, um capitão de uma inefável e indelével crueldade. As cenas mórbidas que ele protagoniza são dignas de um filme de terror (muitas vezes me lembrei de
Hostel).
Paralelamente a esta história real e de uma violência atroz, desenrola-se uma outra, diametralmente oposta: um conto de fadas, protagonizado por Ofélia, enteada deste capitão de “faca e alguidar” que, aquando da sua viagem para Navarra na companhia da sua mãe grávida encontra uma espécie de “louva a deus” que ela acredita ser uma fada e que mais tarde lhe mostra o Labirinto do Fauno, a porta que se abre ao fantástico para esta menina que gosta de ler contos de fadas. O Fauno, uma criatura do mundo das fadas conta-lhe que ela é uma princesa que, devido à sua imensa curiosidade pelo mundo dos humanos, tinha saído do seu mundo original e agora só poderia regressar se cumprisse, com êxito e antes da lua cheia, três tarefas.
O fio condutor destas duas histórias, a forma, atrever-me-ia a dizer, genial como Guillermo del Toro consegue ligar as duas histórias é surpreendente e cativante. O espectador fica preso à tela por uma multiplicidade de sentimentos que é convidado a experimentar a todo o momento. Um filme que vale a pena ver.