
Comecei a ler o livro da Margarida (o Memorial do Convento ficou a meio, fica para depois, é preciso dar descanso a Baltazar e Blimunda). Comecei ontem à tarde, sentada ali no meio do pátio à sombra de um amieiro que tem quase a minha idade. Ele cresceu muito, mais do que eu :) . Enquanto lia, um assobio seguido de um bater de bico que mais parecia um ranger de dentes fez-se ouvir. Ao princípio não liguei, já que a minha atenção estava virada para a leitura. Era um som que parecia vir de longe e se misturava com outros sons de outras aves neste fim de tarde. Levantei os olhos do livro e por momento fiquei a ouvi-los. Distingui vários, mas só consegui associar alguns aos respectivos autores. Isto de ouvir a natureza e compreendê-la é um acto muito complicado. De entre todos os sons, fixei o meu ouvido naquele som estranho tentando segui-lo com o olhar por entre os carvalhos. Em vão. Ouvia o seu canto e sentia que ele voava de árvore em árvore, umas vezes aproximando-se, outras afastando-se. Mas vê-lo, foi algo que não consegui. Entretanto, pensava como seria o pássaro, pequeno?! grande?! de que cor seria?! Fui aos confins da memória e lembrei-me das várias aves que povoavam o céu nessa altura mas nenhuma parecia ter aquele canto. Depois, desapareceu ou ficou em silêncio. Amanhã, à mesma hora, debaixo do mesmo amieiro vou estar atenta para descobrir o autor de tão estranho canto :)