terça-feira, abril 03, 2007

O Labirinto do Fauno


Espanha, meados da década de quarenta do século passado, em pleno regime fascista de Franco onde impera a lei do terror e todos os bens essenciais são racionados para melhor controlar o povo. Nas montanhas de Navarra, um grupo de rebeldes resiste heroicamente a este regime, personificado no filme pela figura de Vidal, um capitão de uma inefável e indelével crueldade. As cenas mórbidas que ele protagoniza são dignas de um filme de terror (muitas vezes me lembrei de Hostel).
Paralelamente a esta história real e de uma violência atroz, desenrola-se uma outra, diametralmente oposta: um conto de fadas, protagonizado por Ofélia, enteada deste capitão de “faca e alguidar” que, aquando da sua viagem para Navarra na companhia da sua mãe grávida encontra uma espécie de “louva a deus” que ela acredita ser uma fada e que mais tarde lhe mostra o Labirinto do Fauno, a porta que se abre ao fantástico para esta menina que gosta de ler contos de fadas. O Fauno, uma criatura do mundo das fadas conta-lhe que ela é uma princesa que, devido à sua imensa curiosidade pelo mundo dos humanos, tinha saído do seu mundo original e agora só poderia regressar se cumprisse, com êxito e antes da lua cheia, três tarefas.
O fio condutor destas duas histórias, a forma, atrever-me-ia a dizer, genial como Guillermo del Toro consegue ligar as duas histórias é surpreendente e cativante. O espectador fica preso à tela por uma multiplicidade de sentimentos que é convidado a experimentar a todo o momento. Um filme que vale a pena ver.

sexta-feira, março 30, 2007

Little Sparrows

Se isto é um bando de pardais, quem é o intruso? ;)

Há sempre um que é do contra :(


Estão a ver bem, sim senhor...nós somos as notas desta pauta :)

domingo, março 25, 2007

Agora as palavras

Obedecem-me agora muito menos,
as palavras. A propósito
de nada resmungam, não fazem
caso do que lhes digo,
não respeitam a minha idade.
Provavelmente fartaram-se da rédea,
não me perdoam
a mão rigorosa, a indiferença
pelo fogo-de-artifício.
Eu gosto delas, nunca tive outra
paixão, e elas durante muitos anos
também gostaram de mim: dançavam
à minha roda quando as encontrava.
Com elas fazia o lume,
sustentava os meus dias, mas agora
estão ariscas, escapam-se por entre
as mãos, arreganham os dentes
se tento retê-las. Ou será que
já só procuro as mais encabritadas?

Eugénio de Andrade - In O Sal da Língua Precedido de Trinta Poemas

sábado, março 17, 2007

PEDRO, LEMBRANDO INÊS

Posted by PicasaA Fonte dos Amores - Quinta das Lágrimas - Fevereiro 2007

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice
In-Pedro Lembrando Inês

sexta-feira, março 16, 2007

Posted by PicasaQuinta das Lágrimas, Fevereiro 2007
"A liberdade é uma planta que cresce depressa, quando ganha raízes." George Washington

sábado, março 10, 2007

Para além do muro

Olhas para além do muro; e
o que vês? O tempo para além do tempo,
a tarde que não chega, ou a noite que
vai chegar quando menos a esperas,
uma última ave no limite
do céu, pedindo-te que a não sigas.
Mas não cedas ao abraço da árvore,
ao apelo das raízes, à melancolia
de um desejo de horizonte. Encosta-te
a esse muro, sabendo que ele desenha
o espaço que te foi dado, e que as tuas
mãos descobrem no frio da pedra.
Não te resignes ao que existe. A ave
que desapareceu por trás da colina conhece
o caminho que os teus olhos procuram.

Nuno Júdice

terça-feira, março 06, 2007

História de uma Montanha que queria ser um vulcão

Posted by PicasaSerra da Arrábida, Março 2007

Em tempos idos, tão idos que a memória do Homem não alcança, uma Montanha elevou-se para além das suas congéneres e gritou a plenos pulmões: - Que um vulcão se desprenda das minhas entranhas e parta à conquista desse vasto mar que teima em desafiar-me diariamente.
Mas a Mãe Natureza não deu ouvidos a estes gemidos de adolescente que cresceu rápido de mais. Milénios e milénios, como é costume contar-se o tempo entre as montanhas, passaram e a pobre Montanha, desgostosa, por ali ficou cabisbaixa olhando o mar enquanto uma lágrima teimava em descer-lhe pelas encostas cada vez menos revestidas dos apêndices capilares – as árvores e outros seres vegetais.
Certo dia em que a Montanha já tinha desistido da sua inusitada pretensão, um senhor Relâmpago cansado de provocar desvarios por esse mundo, decidiu descansar por ali. Olhou à sua volta na tentativa de encontrar um lugar suficientemente abrigado de ventos e marés - com quem tinha travado sangrentas batalhas, onde pereceram milhares de seres de todas as espécies - e vislumbrou uma enorme montanha mesmo virada para o mar. Aproximou-se, entrou em negociações, mas a Montanha parecia relutante em abrigar tão indisciplinado e insurrecto sujeito travando-se das mais inefáveis razões. Ele defendia-se como podia tentando chegar a um acordo que fosse benéfico para ambos, pois estava convicto que era ali o lugar que procurava. Passadas umas décadas (pouco tempo, no tempo das montanhas), as negociações chegaram a bom porto e mediante uma cláusula em que o Relâmpago se comprometia a satisfazer-lhe o desejo, a Montanha deixava-o descansar nas suas encostas. Foi assim que a Montanha ganhou o seu vulcão ainda que em estado adormecido, mas é claro que os sonhos nunca se cumprem completamente. :)

domingo, março 04, 2007

Yupiiiii!!!! :)

Finalmente...consegui descobrir como se colocam os marcadores na barra lateral. Fácil, fácil, fácil...até mete nervos não ter descoberto antes. Esta mania de pensar que as coisas são mais complicadas do que aquilo que são...

Fados de Coimbra em À Capella

Posted by Picasa
Coimbra, Fevereiro 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Para o Portocroft com cumprimentos impertinentes...


...da sua leitora pindérica

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

No Dia Internacional da Língua Materna

HORIZONTE

Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa in Mensagem

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

sábado, fevereiro 03, 2007

Em ritmo binário apoiado em redondilha maior

Moinho sem velas

Meu moinho abandonado,
meu refúgio de inocente,
meu suspiro impertinente,
meu social transtornado.

Meu sussurro de oceano
meu ressoar de caverna,
minha frígida cisterna,
minha floresta de engano.

Minha toca de selvagem,
meu antro de vagabundo,
minha torre sobre o mundo,
minha ponte de passagem.

Meu atributo coitado,
meu tanger de hora serena,
rolo de pedra morena,
silêncio petrificado

António Gedeão

domingo, janeiro 28, 2007

Poemas em construção

"Moinho sem velas" ou "silêncio petrificado"?

sábado, janeiro 20, 2007

Cézanne (por mim)

Um encontro
Entre esta e a outra margem
Uma ponte
Que une duas pinceladas de esperança
Um rio
Que corre ao sabor da eternidade
Árvores
Que se quebram em parábolas míticas.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Bem...mas é que este A quilómetros de mim tem de ver a luz do ano 2007!

Este post foi feito com esse fim...eu sei...não é um objectivo digno de um post...mas é o único que encontro neste momento. Bolas! às vezes até custa juntar as letras quanto mais escrever posts!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

E porque me faltam as palavras...



Um Feliz 2007 para todos

terça-feira, dezembro 26, 2006

Ainda a propósito de Natal

"Quando celebra, o Homem faz memória. Memória de momentos felizes, de conquistas, de sonhos realizados. E celebra com o mesmo brilho as festas que são só suas e aquelas que são de todos."

terça-feira, dezembro 19, 2006

Para os que tropeçarem neste blog, um Feliz Natal

O Holy night/O night divine- Corrs

domingo, dezembro 10, 2006

Entre bonecos de neve :o)

(aquilo é a cara de um boneco de neve, ok?)

Corria o ano de 1967 e a pequena aldeia escondida no meio dos montes preparava-se para comemorar o Natal. O forno comunitário era o ponto de encontro das mulheres e onde se preparavam as mais diversas iguarias natalícias sempre acompanhadas de grandes nacos de conversa onde os temas variavam entre, a filosofia de trazer por casa e as notícias dos entes queridos. Por outro lado, os homens prosseguiam a sua azáfama na recolha de enormes troncos que depositavam no adro da igreja e se destinavam à grande fogueira de Natal. Aos miúdos era-lhes interdita a entrada nos ambientes dos adultos não lhes restando outra alternativa a não ser, ficarem entretidos a enrolar a neve em pequenas bolas que faziam rolar pela praça tornando-as gigantescas, comparadas com o seu petiz tamanho. Depois, encavalitando-se uns nos outros punham uma bola sobre a outra fazendo nascer assim os bonecos de neve que, enfeitavam com qualquer adereço que encontrassem ali, à mão de semear. A praça enchia-se, então, de enormes seres brancos que sorriam ao ver a alegria catraia que os rodeava. Mas o grande momento por que todos ansiavam estava para chegar, como acontecia todos os anos na véspera de Natal e já se sentia, no ar gélido de Dezembro, a expectativa que antecede os grandes acontecimentos que só as crianças realmente saboreiam.
A sra Etelvina era uma velhota pequenina e curvada pelo peso dos anos e pela fadiga de tantos caminhos percorridos na sua lida. Ninguém como ela conhecia aqueles montes e vales que separam, delicadamente, Portugal e Espanha. Delicadamente, é como quem diz, porque a fronteira era guardada, com unhas e dentes, por autênticos bulldogs que, se pudessem e os apanhassem, não deixavam de massacrar aqueles que se atreviam a fazer do pequeno contrabando o seu modo de vida. A Ti Vina, como os miúdos gostavam de lhe chamar, era uma destemida contrabandista de produtos de primeira necessidade e que vinha à aldeia para vender aquilo de que os aldeões careciam, a preços mais condizentes com os seus parcos rendimentos. Então perguntam-me vocês a causa de tanto alvoroço neste dia! Pois!…é que neste dia, todos os santos anos, a Ti Vina vinha à aldeia com mais tempo e depois de ter vendido tudo o que trazia literalmente às costas, dirigia-se para a praça, junto ao fontanário, onde as crianças já tinham ocupado o seu lugar à sua espera. Ela aparecia no meio delas, toda vestida de negro e com um xaile que lhe cobria grande parte do rosto encarquilhado e trigueiro que uns olhos de azeviche iluminavam. Olhava cada um deles atentamente e depois de se certificar que todos se tinham portado bem naquele ano, abria uma grande caixa de galhetas espanholas. Dezenas de pequenos braços estendiam-se até à caixa mas sem se atropelarem, pois sabiam que a Ti Vina arranjava sempre maneira de as galhetas chegarem para todos. Depois, seguia-se o momento mágico no meio de grandes e pequenas trincadelas nervosas nas bolachas…os contos…pois, os contos que a velha contrabandista lhes contava e que eram o melhor presente de Natal. Não eram contos de príncipes e princesas, eram histórias verdadeiras, contadas na primeira pessoa, autênticas aventuras que os faziam saltar os muros esdrúxulos que prendiam as suas almas. Ao anoitecer a Ti Vina fazia questão de se retirar de forma discreta e no meio da azáfama vespertina só os miúdos a viam desaparecer na última curva como ponto final que põe fim a um parágrafo.
A sra Etelvina nunca mais apareceu nas redondezas. Conta a lenda que naquela mesma noite um anjo, vestido de um branco tão alvo quanto a neve, a salvou de uma emboscada de salteadores e a levou para um reino longínquo, onde ocupa o digníssimo e alto cargo de “Contadora de histórias” para miúdos, graúdos e todos aqueles que gostam de ouvir contos.

Clique em cada link para ler os contos de todos os participantes nesta 5ª edição dos desafio de criação do Canto de Contos cujo mote é "Um conto de Natal"

Membros do Canto de Contos
Bill, Clarissa, Conteúdo Latente, Ipslon, Isa, Maite, Parrot, Pedro Pinto, PiresF, Raquel, Rui Semblano, Vanessa,
Convidados
Beatriz, Kaotica, Klatuu, Legível, Luís Teixeira, Rafaela, Ruy Soares, TB, Teresa Durães

sábado, dezembro 09, 2006

terça-feira, novembro 28, 2006

E continuando a ler A Bend in the River

If you look at a column of ants on the march you will see that there are some who are stragglers or have lost their way. The column has no time for them; it goes on. Sometimes the stragglers die. But even this has no effect on the column. There is a little disturbance around the corpse, which is eventually carried off – and then it appears so light. And all the time the great busyness continues, and apparent sociability, that rite of meeting and greeting which ants travelling in opposite directions, to and from their nest, perform without fail.
……………………………………………………………………………………………
We were simple men with civilizations but without homes. Whenever we were allowed to, we did the complicated things we had to do, like the ants. We had the occasional comfort of reward, but in good times or bad we lived with the knowledge that we were expendable, that our labour might at any moment go to waste, that we ourselves might be smashed up; and that others would replace us. To us that was the painful part, that others would come at the better time. But we were like the ants; we kept on.

sábado, novembro 25, 2006

Isley/Jasper/Isley - Caravan of Love (1985)

sexta-feira, novembro 24, 2006

E porque hoje gostei de ouvir esta música logo pela manhã

Ooh...ooh...ooh..
Ooh...ooh...ooh..

Are you ready for the time of your life
It's time to stand up and fight
(It's alright) It's alright (It's alright, it's alright)
Hand in hand we'll take a caravan
To the motherland

One by one we're gonna stand with the pride
One that can't be denied
(Stand up, stand up, stand up, stand up)
From the highest mountain, and valley low
We'll join together, with hearts of gold

Now the children of the world can see
There's a better way for us to be
The place where mankind was born
Is so neglected and torn... torn apart

Every woman, every man
Join the caravan of love (Stand up, stand up, stand up)
Everybody take a stand
Join the caravan of love

I'm your brother
I'm your brother, don't you know

She's my sister
She's my sister, don't you know

We'll be living in a world of peace
In a day when everyone is free
We'll bring the young and the old
Won't you let your love flow from your heart

I'm your brother
I'm your brother, don't you know
She's my siter
She's my sister, don't you know

Are you ready for the time of your life
(Are you ready, are you ready)
Are you ready for the time of your life
(Are you ready, are you ready)

ISLEY BROTHERS "Caravan Of Love" Lyrics (shortened)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Os melhores dos melhores

O melhor blog de videos: MT
O melhor blog de ideias contrárias às minhas: Amok_she
O melhor blog de pensamentos joviais:Parrot
O melhor blog de contos:PiresF
O melhor blog de histórias:Legível
O melhor blog estrangeiro:Bill
O melhor blog sobre África:Carlos Narciso
O melhor blog de escrita intimista:Clarissa
O melhor blog de poesia e música:Portocroft

Estes são os melhores dos melhores porque são aqueles que eu gosto de ler. Tão simples quanto isso.
Este post nao estará aberto a comentários de modo a evitar agradecimentos ou reclamações. Sim, porque às vezes também não sou nada democrática :)

domingo, novembro 19, 2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

Novo Desafio

Um conto de Natal, sim um conto de Natal :)
Ok, prontus. Eu sou suspeita porque gosto de contos de Natal embora, digo desde já, que não fui eu que escolhi este mote para o novo desafio.

A publicação dos contos será em simultâneo, como consta do regulamento interno do Canto de Contos, no blog de cada um dos participantes. Temos mais alguns participantes como tive oportunidade de ver n' A Rua dos Contos. :)

Desta vez será no dia 10 de Dezembro às 21 horas.

Bill, - Realidade Torta
Clarissa, - Instantes Clarissa
Conteúdo Latente, - Conteúdo Manifesto
Ipslon, - Tetros
Isa, - Piano
Maite, - A quilómetros de mim
Parrot, - Incomplete
Pedro Pinto, - Sexta Feira-Thales
PiresF, - A Rua dos Contos
Raquel, - (…)
Rui Semblano, - A Sombra
Vanessa, - Voz Calada

domingo, novembro 12, 2006

Ora, novamente o séc. XVIII e a França. Sim, porque depois de ver “Maria Antonieta” e os ambientes faustosos da corte, este filme mostra-nos a precariedade, a imundície, a animalidade em que o povo vivia na mesma época. Uma criança que é “parida” literalmente no ambiente mais indescritível que se possa imaginar e no mesmo instante abandonada às traças. E o “dom” com que nasce e que parece que irá projectá-la para um mundo fora do seu (daquele onde nasceu), será a sua própria destruição que ele procura como fim para o seu próprio desespero. Tem ou poderá ter tudo a seus pés (possui algo mais valioso que o próprio dinheiro), mas carece daquilo que todo o ser humano mais deseja (a capacidade de amar e ser amado).
Não li o livro, por isso não posso fazer comparações embora tenha lido algures que Patrick Süskind se recusou, durante dez anos, a vender os direitos de autor. Penso que ao filme falta aquilo que toda a gente fala sobre o livro. Pelo menos, eu não consegui comprová-lo. No entanto, é de salientar a interpretação extraordinária do jovem actor Ben Whishaw no papel de Jean-Baptiste Grenouille.

sábado, novembro 11, 2006

Hoje nevou em Lisboa :o) (isto é a cara de um boneco de neve)

...sim, nevou...só um bocadinho, prontus. E daquela varanda cantaram-se cantos de Natal :) Posted by Picasa

segunda-feira, novembro 06, 2006

E porque hoje Sophia de Mello Breyner Andresen faria 87 anos...

Pátria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

— Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar

E o exílio se inscreve em pleno tempo.

Sophia Mello Breyner Andresen

A hora da chuva, invariavelmente ao fim da tarde, era a sua hora preferida dos dias. Assinalava o fim do trabalho, a bebida fresca no terraço à sua espera, o duche frio que antecedia o jantar. E silenciava todos os sons à roda, encharcava o calor sufocante da atmosfera, fazia subir no ar um perfume de terra molhada que afastava por instantes aquela cápsula gigante de clorofila em que eles viviam mergulhados nas ilhas. Era como se o céu inteiro rebentasse de repente, incapaz de adiar por mais tempo uma insustentável contenção: como o prazer suspenso até ao limite no corpo da mulher. Então, a ilha inteira libertava-se daquele sufoco, da agonia das horas escorridas em suor, daqueles dias de uma violência sem tréguas. Na cidade, fechavam-se as portas e os taipais das lojas...

Miguel Sousa Tavares in Equador

quinta-feira, novembro 02, 2006

A arte poética

Dizem
Esquecem
Não dizem?
Disseram.

Fazem?
Fatal
Não fazem?
Igual.

Porquê
Esperar?
- Tudo é
Sonhar.

Fernando Pessoa

A palavra poética é a um tempo desintegradora e integrante. Indetermina os significados, não para destruir o sentido, mas para criar novas significações que representem uma maneira nova de ser ou de estar no mundo.

António Ramos Rosa

segunda-feira, outubro 30, 2006

"Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?" Vinícius de Moraes



Este post é dedicado a todos os meus amigos da blogosfera (aqueles que constam dos meus links) e que gostam de Vinícius (penso que sejam todos) :)
De modo particular à MT que me chamou a atenção para este filme e que penso que já teve um poema dele no seu blog, embora hoje não o consiga encontrar, mas ia jurar que tinha visto. Ao Portocroft que me ensinou a gostar de Vinícius e de muitos outros poetas. À Amok_she que tem também um poema no seu blog.
Noutro post falarei do filme que é mais um documentário.
Depois de estar duas horas a ouvir Vinícius cantado e declamado por Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto e muitos outros só me apeteceu aplaudir no final (depois lembrei-me que estava num cinema e que não era o local indicado para tal manifesto)
Posted by Picasa

domingo, outubro 29, 2006

O meu passeio matinal de hoje :)




De tarde fiz outra coisa completamente diferente :)
Esta é para a MT adivinhar :) Posted by Picasa

sábado, outubro 28, 2006

Isto não é um post mas uma tentativa de o ser

Este post é muito teimoso, ou não entra ou se entra desformata-me o blog. Vamos ver o que acontece hoje! Se por acaso acontecer alguma destas situações deito-o no "lixo". Prontus...caso arrumado :) Sim, porque no outro dia tinha acabado de escrever um texto (enorme) sim, enorme :), mas como nunca faço copy/paste, perdi tudo e agora já não me apetece escrever outro texto sobre o mesmo assunto. Eu avisei, isto não é um post.

Estas fotos são de Serpa - Alentejo. Estive lá, faz este fim de semana quinze dias.

entrada (ou melhor saída) do restaurante Adega Regional Molhó Bico
vista de uma ameia do castelo
entrada do castelo (pelo menos, eu ia a entrar) :)
Posted by Picasa

segunda-feira, outubro 23, 2006

Maria Antonieta


O filme de Sofia Coppola baseado na biografia de Antonia Fraser (mulher do dramaturgo Harold Pinter - prémio Nobel da Literatura de 2005) resgata a figura desta rainha Francesa de origem Austríaca, num filme em que o presente e o passado se interpenetram, quer pela música (uma mistura de música do séc: XVIII pré-neo-romântica e música contemporânea pop, rock, punk), quer através da própria figura de Maria Antonieta que nos é apresentada como uma adolescente frágil, vulnerável e inadaptada ao ambiente para onde foi transportada [a corte do Palácio de Versalhes em vésperas da Revolução Francesa (1789)] e uma mulher aparentemente fútil, frívola, amante do prazer pelo prazer em que se transformou depois da desilusão em que se tornou o seu casamento com o delfim de França e o ambiente de intriga em que vivia.
Maria Antonieta, antes de ser odiada pelo povo (cuja vida miserável contrastava com a sua) foi odiada, mais veementemente, pela aristocracia que a acusava de dar uma imagem negativa da monarquia (no filme, Sofia Coppola parece fazer uma comparação de Maria Antonieta com Diana de Gales).
Quase no final, e já com o povo em fúria, em frente de Versalhes, Maria Antonieta aparece na varanda principal do Palácio e inclina-se (abrindo os braços sobre o parapeito de pedra da varanda) em frente a esse mesmo povo que a odeia e a decapita mais tarde. Nesse momento um silêncio respeitoso, surpreso e, atrever-me-ia a dizer, afável percorre a multidão, mas é apenas um momento breve que se torna num motor mais poderoso para os acontecimentos seguintes (a destruição do Palácio e com ele da monarquia). Um filme que vale a pena ver.

terça-feira, outubro 17, 2006

O Canto dos Contos


Guia dos Membros do Canto de Contos.

Beatriz, - Wisdom, that’s what i’ve aspired
Bill, - Realidade Torta
Clarissa, - Instantes Clarissa
Conteúdo latente, - Conteúdo Manifesto
Ipslon, - Tetros
Isa, - Piano
Maite, - A quilómetros de mim
Parrot, - Incomplete
Pedro Pinto, - Sexta Feira-Thales
PiresF, - A Rua dos Contos
Raquel, - (…)
Rui Semblano, - A Sombra
Vanessa, - Voz Calada
Beatriz, - Se perguntarem por mim, digam que voei
Kaotica, - O Pafuncio
Klatuu, - Crónicas da peste
Legível, - Papel de fantasia
Luís Teixeira, - Chama lunar
Rafaela, - Fragmentos de um espelho
Ruy Soares, - Blogdoruy
TB, - Linhas de pensamento
Teresa Durães - Voando por aí

As palavras

Ao escrever sobre o que sentimos acabamos por vezes a sentir o que escrevemos porque o escrevemos. Explico-me. Às vezes, escrevem-se coisas porque vão umas com as outras, porque rimam significados ou simplesmente ficam bem. Porque as palavras procuram outras de uma certa maneira irrecusável. E depois já está. As palavras possuem esse poder de moldar o que a mão ao escrevê-las queria dizer. Escrever não é um acto de um sentido só, uma espécie de rua de sentido único entre o que temos dentro e o que aparece de fora, escrito. Este «de fora» que parece ser a escrita, se molda o que depois ao ler sentimos, é porque está ainda «de dentro». Mas às vezes o cansaço apodera-se de nós, e temos vontade de parar. Não sei se de escrever, se de sentir, possivelmente de estar sempre a pensar nisso. Parar: vontade de fechar os olhos e ver.

Dylan Thomas - A mão ao assinar este papel.