domingo, fevereiro 26, 2006

Um corte radical ;)


Não, não é isso que estão pensar....não é um corte de cabelo radical, até porque confinada como estou, às quatro paredes deste apartamento, não o poderia fazer (maldita constipação!).
Foi mesmo um corte radical no meu vegetal de estimação (um cyclamen Latinia). Vai fazer cinco anos agora em Março. (cinco anos! até eu me admiro por ela durar tanto tempo nas minhas mãos!). Mas o facto é que tem sobrevivido...mas admito que lhe dispenso diariamente, ao pequeno almoço, um pouco de atenção. Ontem comecei a pensar que aquelas folhas enormes, embora ainda viçosas, do ano passado estavam a mais. Então...peguei numa tesoura e sacrifiquei-as em prol das mais pequenas. Penso que a planta agradeceu porque hoje até as flores e as folhas estão um pouco maiores. Com isto tudo, ficou apenas com seis folhas e quatro flores (ainda por desabrochar). Parece um pouco despida mas penso que foi o melhor para ela. :)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Estou em completa expectativa!(...)

Versos por Maria invocados de modo desonesto por incompleto (Prometo te querer até o amor cair doente, doente/ Prefiro então partir a tempo de poder a gente se desvencilhar da gente). Só falta esperar do Pedro que agradeça o favor. Últimas frases caladas por não lhe convirem...Joguei limpo, aí estão, entre parêntesis, como a vida dele.
“Depois de te perder/ Te encontro com certeza/ Talvez num tempo da delicadeza/onde não diremos nada, nada aconteceu/ Apenas seguirei encantado ao lado teu”
Tempos de delicadeza e silêncio, nada aconteceu. Encontros por aí, terra pequena, você está bem? E ele encantado...
Desistir do amor será talvez inevitável, mas seguramente obsceno.


Final do Cap. VIII de Muros - JMV

O narrador é, por ventura, irritante de tão consciente do estado de alma de cada um, mas ao mesmo tempo é um elemento essencial da história, diria mesmo que se tornou também ele uma personagem sem querer.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

"O amor entre duas pessoas é o que faz com que qualquer uma delas seja duas ao mesmo tempo" Agostinho da Silva

Ela quiz sentar-se no colo dele (pediu licença), ele aceitou. Ela abraçou-o com ternura, ele pediu-lhe para escreverem o texto a quatro mãos, ela anuiu. Ele teclava uma frase, ela teclava a seguinte. Mas...ela sentiu uma ligeira brisa percorrer-lhe o corpo que a levou nas asas do vento...e fez Enter. Ele surpreendeu-se (porque não havia ali nenhum parágrafo) e o texto ficou para trás.
Ele e Ela entraram no mundo mágico:

Olhando o céu de chumbo
Enrolados como um novelo
De linha púrpura de seda
Gememos felizes por estar aqui!

De súbito...(as quatro mãos pararam de escrever) :)

sábado, fevereiro 18, 2006

Match Point

Hoje fui ver Match Point, até que enfim....
É um filme algo intrigante que versa o tema do papel da sorte na vida das pessoas (para não falar da questão da moralidade e da infidelidade). O protagonista, Chris é um professor de tennis e é bom naquilo que faz mas tem também muita sorte que o persegue durante todo o filme. E digo persegue, porque creio que a sorte, só por si, não é uma benção. O fim mostra que apesar da sorte, a sua consciência não lhe dá tranquilidade nem paz e apesar, de tudo parecer perfeito à sua volta, o seu interior está amargurado e impede-o de saborear a vida que escolheu. Sim, porque "nós somos também aquilo que escolhemos ser". Surpreendeu-me também a banda sonora toda feita de temas clássicos: "La traviata" e "Rigoletto" de Guiseppe Verdi, Rossini, Lloyd Webber
A nível de ambientes gostei especialmente de conhecer o interior do Gherkin e o apartamento deles mesmo à beira do rio Tamisa e com uma vista esplendorosa sobre o Big Ben e as Houses of Parliament. Tom, no final diz esta coisa extraordiária tão em desacordo com o momento que o protagonista vivencia: "I don't mind if he (the baby)isn't great, I would like him to be lucky."

Esta é a Keyra Knightley (a minha gatinha virtual) ;)


The sleeping cat by Arlette Steenmans

Hoje ainda dorme porque é fim de semana...mas é eléctrica...não passa p'la cabeça de ninguém as tropelias de que este bicho(não lhe vou chamar bicha, obviamente, porque ela não é!) é capaz, vendo-a dormir o sono dos justos ;))))))

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

E quando a gente se sente assim...?

Apetece-me deitar a vida para trás das costas
Esquecer que alguma vez existi
Ficar suspensa entre o norte e o sul
Em lugar nenhum.

Apetece-me deambular no meio do nada
Em lugares onde não há esperança
Assim como neste onde estou
E ficar lá, sem regresso.

Apetece-me dizer que não estou, que não sou
Que o que vêem é uma sombra.
Exígua sombra de nada.

Apetece-me escurecer debaixo da lua
Gritar um último grito de dor exangue
E desaparecer no meio das nuvens.

Aprendi que o dia seguinte é um outro dia em que tudo pode acontecer. Até o impossível ;)

domingo, fevereiro 12, 2006

Há dias assim...perfeitos :)

Bem!...há dias assim!....belos e inesperados. Hoje, como faço muitas vezes ao domingo, fui dar o meu passeio à beira mar. O mar estava especialmete bonito. Tão brilhante que parecia de prata e a espuma das ondas lambiam a areia contangiando-a de graça e ternura.
De tarde assiti a concertos. Inicialmente ouvimos um coro dirigido por uma maestrina Ucraniana que nos encantou com belas composições das quais destaco : “My Lord”, “A canção do mar” de Ferré Trindade, “Cantigas de Maio” de Zeca Afonso, “Edelweiss” escrita por Rodgers e Hammerstein e que faz parte da banda sonora de “Música no Coração” e a “Ode à Alegria” de Beethoven. Na segunda parte assistimos à prestação cativante de uma pequena “grande” orquestra dirigida por um maestro magnífico que conseguiu uma interacção invejável com o público. Ouvimos Mozart (destaco a “Pequena Serenata” de entre outras), valsas de Johann Strauss, uma ária de Vivaldi e imagine Pólux que até ouvi uma composição de Piazzolla tocada pela orquestra (magnífica).
E quando saí do auditório, crepúsculo já, a Natureza presenteia-nos com uma Lua enorme e esplendorosa “pedurada” num céu de dias de Verão. Há dias assim, de facto...perfeitos :)

P.S. e nas notícias ouvi, melhor li (porque não consegui ouvir nada), um discurso do Príncipe Aga Khan onde ele dizia que o progresso humano só será pleno quando a Humanidade conseguir viver a pluraridade de uma forma natural.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Só para relaxar ;))))))

Sabem, aquelas revistas que nunca compramos, que estão em expositores nos supermercados e pelas quais passamos os olhos quando andamos às compras e estamos cansados de olhar para as prateleiras à procura do que queremos (eu faço sempre uma lista de compras, sou incapaz de me dirigir a um supermercado sem ela, é como um mapa, sem ela sinto-me perdida e não traria nem 1/3 do que preciso)...pois essas revistas :)))))))). No outro dia, num dia de chuva...sim muita chuva, folheava aleatoriamente uma dessas quando dei de caras com um artigo que me pôs a sorrir logo de manhã.

As meninas da Foz e da Lapa ;)

Na Foz: - “O Basconcelos e a Bánessa “bum” de férias para Barsóbia”
Na Lapa: - “A Kika e a Fafá vão viajar imenso “pó” leste”

No Algarve em pleno pino do Verão e numa praia a “abarrotar” de gente. As mesmas duas:
- “Oh ricaah, porque é que a menina fala assim? Não se percebe nada!”
- “Hum! Cum carago! Bai-te catar!”
- “O quê? Vai de carro pa Dakar? Que canseira!”

É claro que o artigo estava muito bem apanhado...mas eu só me lembro destas duas ;)))))))

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Porque m'apetece



Porque gosto de ouvir Mozart quando estou alegre e quando estou triste, nos dias de sol e também nos dias de chuva...

Johannes Wolgang Amadeus Mozart viveu apenas 35 anos entre 1756 e 1791 porém, deixou para a posteridade uma esplendorosa obra que é a consubstanciação de tudo o que a Humanidade tem de trágico e cómico, de belo e tenebroso.
“Mozart tem a simplicidade suprema das coisas perfeitas, a simplicidade do essencial” – Helena Sá e Costa
“O que mais me atrai em Mozart é a capacidade que ele tem de esconder, por trás da construção perfeita e frásica do classicismo, as sombras e as áreas mais recônditas do ser humano, aquelas sensações inexprimíveis por palavras” - Alexandre Delgado

sábado, fevereiro 04, 2006

Hábitos estranhos

Eu gosto de desafios e não resisto a este que o Parrot me sugeriu ;)))))

Aqui estão alguns dos meus hábitos um bocadinho estranhos;)

-Gosto de me sentir perdida para ter o prazer de me encontrar (detesto GPSs)
-O despertador está sempre adiantado 3 minutos, mas mesmo assim penso sempre "já estou atrasada, bolas!" porque saio de casa sempre em cima da hora.
-Gosto de fazer amor de manhã, detesto fazer amor à noite.
-Sou sempre do clube onde joga o Victor Baía ;) (já fui do FCP, do Barcelona e agora sou do FCP, outra vez)
-Gosto de andar pela praia nos domingos de manhã quando ainda está deserta (detesto praias pequenas para o fazer)

Estou aqui a pensar a quem vou desafiar... ;)
Ah!! Ah!! Já sei ;)
Polux, Amok_she, sr noiseformind, RAM, Portocroft

P.S. hum! será que vão aceitar?!! ;)
É que eu também tenho este hábito estranho de tentar quase o impossível ;)

Campanha Contra o Terrorismo



Muçulmanos todos juntos: “Oh…que desilusão! E agora?!!!!!!”
Muhammed: "Agora, meus caros, deixem-me dormir descansado que vocês já me deram muito que fazer! E DESAPAREÇAMMMMMM, OUVIRAM. xô xô xô Todos lá para a Terra a expiar os vossos pecados. E quietinhos."

Oops...não resiti! a esta bricadeira mas que o assunto é sério, é.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Citações (quase) soltas ;)

"É o silêncio manso e indeterminado das pedras e das coisas que esmaga o vazio das mil distâncias que preenchem os abismos" Pólux

"Procuro-te no silêncio agudo das arestas da noite" Pólux in Desencontro

"Existem pessoas e recordações que nos marcam e nos acompanham para toda a vida." Parrot

"tentativa de abrir a janela e voar para uma dimensão não terrena, não visível, não audível - em busca de PAZ." Circe

"...naturalmente que passámos logo para o Gasset sem nos termos detido no Hess...ai,ai...mulheres!...razão têm o nosso amigo legibile..." Amok_she

"As mulheres gostam de homens sensíveis mas não frágeis (díficil descobrir a diferença)..." Júlio Machado Vaz in Muros

"Há quem invente a luminosidade para não se desintegrar" Portocroft

"Amar é o caminho" Lobices

"É que dá-me um grande prazer em imaginar que de manhã a minha Mãe vai encontrar aquele Bule caríssimo e ultra-conservado da Alessi Michael a secar e vai fazer um chá (ou melhor ainda, um café) delicioso com ele." sr noiseformind in Quando eu fico em casa de minha mãe

"Aí (no meu escritório)não crescem as altas árvores ou o viço dos frutos luzidios. Nem amadurecem as pêras, nem os cachos uns sobre os outros na violência esmagadora da candura natural e lenta do mundo" Da. in A manh'ser

"a oliveira que tão bem conhecia e o mato rasteiro dobrado pelo vento agreste de norte que ali teimava em permanecer." PiresF in A Rua dos Contos"

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Oxigénio

Oxigénio é o verdadeiro nome da peça de teatro encenada por Júlio Cardoso e levada à cena pelo grupo Seiva Trupe no auditório do Teatro do Campo Alegre no Porto.
Oh que xi génio! É o título de um artigo sobre Lavoisier escrito por alunos de uma escola do Porto e que está afixado à entrada do auditório.
Para começar o ambiente no auditório é mesmo de laboratório. O público senta-se em cadeiras muito desconfortáveis e veste batas azuis(não chegaram para todos) antes de entrar. Há duas bancadas, uma na frente da outra e o palco é no próprio chão do auditório, no meio das duas bancadas. O único adereço vísivel, logo no início, é uma pequena “piscina” de água quente que serve de sauna para as mulheres dos cientistas que estão em Estocolmo, a convite de Gustavo III, para esclarecer a questão “quem foi o primeiro cientista a descobrir o oxigénio”: Lavoisier, Scheele ou Priestley. Nas paredes laterais e, entre cenas da peça, são mostrados videos de moléculas em movimento, organizando-se e desorganizando-se e alguns também de luz fractal (eu chamei-lhe assim).
A peça move-se entre dois tempos, o século XVIII e o século XXI. Enquanto no séc:18 os três cientistas debatem a questão “quem foi o primeiro a descobrir o oxigénio”, no séc: 21 o Comité Nobel debate a atribuição do prémio retro-nobel a um destes três cientistas pela mesma descoberta.
O tema aglutinador da peça pode resumir-se nesta frase de Madame Lavoisier “O objectivo da ciência é o conhecimento mas, o objectivo dos cientistas é a reputação”. A peça é feita de simetrias e bipolaridades (o oxigénio é uma estrutura com essa caracteristica): o mundo antes e depois da revolução química; a fachada e os bastidores da ciência e os universos paralelos dos homens e das mulheres.
O actor que mais apreciei foi Fernando Landeira que desempenha o papel de Lavoisier e de um cientista do comité ( são 6 actores que desempenham o papel de treze personagens). A forma tão expressiva e cativante como interpreta a personagem quase que “obriga” o público a ser parcial e a escolher Lavoisier como o legítimo “pai” do oxigénio. Saliento, porém, que todo o elenco é magnífico.

Oh que xi génio!

Lavoisier: "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"

Amanhã, conto mais... :)

domingo, janeiro 22, 2006

Notícias do Mundo

Em dia de Eleições, porque não reflectirmos todos também(nomeadamente e principalmente os políticos) sobre os graves problemas que assolam o nosso planeta e os seus habitantes.

Somália
Brasil
Burkina Faso
China
Angola
União Europeia
E.U

P.S. estes anexos foram-me enviados por e.mail e por coincidência abri-os hoje.

sábado, janeiro 21, 2006

A minha segunda Prova de Orientação

Já se imaginaram no meio de uma mata de cerca de 386 hectares, onde nunca foram e ter que percorrê-la a pé de acordo com um plano estabelecido? Há sempre a eventualidade de se ficar perdido ;) não para sempre, claro :) (há sempre uma equipa de emergência com ambulâncias e polícia). De mapa, bússula e chip na mão, lá fui eu participar na minha segunda Prova de Orientação (organizada pela Federação Portuguesa de Orientação). É um desporto que me fascina pelas suas características: a surpresa, o contacto com a Natureza, o espírito de cooperação dentro do grupo (três pessoas, no meu caso), a interajuda entre grupos (quando estamos um "bocadinho" perdidos) a resistência perante obstáculos físicos, o aperfeiçoamento do sentido de orientação (é tão fácil, de repente, ficarmos "desnorteados") e a concentração necessária para nos voltarmos a situar.Para não falar que é um desporto extremamente divertido.
Hoje, tal como da primeira vez, também havia provas de competição. Mas eu, claro, fazia parte das provas para amadores :)))). Mas estou convicta que vou chegar ao topo das provas amadoras :)

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Os valores

A propósito de um comentário da Amok_she, lá no blog dela, sobre a transparência.

A transparência é um valor, indiscutivelmente. E como valor que é, ou existe ou não existe e não há meio termo. Ou falando em termos cromáticos, ou é branco ou é preto e não há tonalidades. Isso não impede de revestirmos a nossa vida de matizes brilhantes (os joguinhos de sedução de que ela fala) sem nunca perdermos de vista as pedras basilares (os valores). E associada à transparência, está sem margem para dúvidas, o respeito pelos outros ou como muito bem disse o Portocroft lá no seu blog

"A forma como uns e outros olham o mundo, não é melhor nem pior. Não é mensurável nem discutível e, muito menos, catalogável. É a de cada um. E todas são válidas.
Por isso:
Se “Vê moinhos? São moinhos!”
Se “Vê gigantes ?São gigantes!” "

Este seu comentário a propósito de um poema de António Gedeão "Impressão Digital"

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Soneto

Correm turvas as águas deste rio
Que as do céu e as do monte as enturbaram;
Os campos florescidos se secaram;
Intratável se fez o vale, e frio.

Passou o Verão, passou o ardente estio;
Umas cousas por outras se trocaram;
Os fementidos Fados já deixaram
Do mundo o regimento ou desvario.

Tem o tempo sua ordem já sabida;
O mundo, não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.

Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece.

Luís de Camões

domingo, janeiro 15, 2006

Teste a sua capacidade...

...de orientação, de resolução de problemas, de resistência ao fracasso, de determinação em alcançar os seus objectivos :)

aqui


Your rating
1. Conseguiu à primeira - Genial:) você é um/a executivo/a de sucesso em todos os aspectos da sua vida
2. Tentou várias vezes até conseguir - você é muito persistente, um/a resistente e por isso vai ganhar todos os desafios:)
3. Tentou, mas não conseguiu à primeira e desistiu - você é um/a fraco/a e lembre-se que dos fracos não reza a história. Tente novamente :)

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Fernando Pessoa

Contemplo o lago mudo
que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

domingo, janeiro 08, 2006

Os Links

Hoje decidi fazer os links. Quem não quiser ser linkado é só dizer e eu deslinko. :)))) (mas não façam isso, ok?)
Há cerca de uma ano atrás, tive conhecimento da blogosfera e andei à procura de um lugar onde me “sentisse em casa”, onde gostasse de participar e cerca de dois meses depois encontrei o Murcon. A partir daí entrei, oficialmente, na blogosfera não com um blog mas como "comentadora". Não vou tecer considerações àcerca do Murcon, apenas dizer que é um blog de referência para mim, onde conheci bloguistas que muito admiro e fazer um brinde ao Professor.
O Portocroft, um grande amigo meu da blogosfera (ele nem suspeita). A nossa “relação”, apesar de ser apenas blogosférica, também tem altos e baixos. É sempre um prazer ler os seus poemas e textos e gosto da parceria dele com a Lara. Saliento o Tema de Croft, que é magnífico.
O Lobices, com quem tive também imensas desavenças, mas por quem nutro um grande carinho. Pensei já em deixar-lhe aqui uma flor para agradecer todos os textos e flores que nos ofereceu, no seu blog, no ano que findou.
O Pólux, o meu leitor predilecto porque mais assíduo e apesar dos comentários breves, são sempre muito belos tal como os seus blogs, um de poesia e que no momento tem um poema magnífico aliado a um tango que os torna uma simbiose perfeita. E outro sobre a guerra do Iraque, tema que me é muito caro por pôr em relevância o sofrimento injusto de tantos seres humanos.
O RAM, que me despertou o interesse pela poesia de Al Berto e agradeço a sua gentil visita.
A Amok_she , cujo primeiro contacto blogosférico foi uma espécie de batalha campal no Murcon respeitante a triângulos. Ela é a favor e eu sou absolutamente contra. Imaginem, portanto, quão díficil é esta“relação”. Aliás de momento estou muito chateada com ela e nem sequer comento no seu blog porque, apesar de eu ter um blog (recente, eu sei) nunca me visitou, nem para me dizer que o meu blog é muito fatela ;).
O sr noiseformind , cujos textos estão em conflito aberto com os meus princípios e por isso nunca deixei nenhum comment. (ele detesta-me, oops). Há, porém, um texto que me tocou profundamente.
A rua dos contos , um espaço delicioso que encontrei através do Portocroft e que visito avidamente.
A Papu, onde leio notícias da minha querida Londres.
O Acidental , também leio, principalmente as “crónicas” do Rodrigo Moita de Deus. Aliás, só pelos títulos já sei que são dele e começo logo a esboçar um sorriso (ele nunca irá ler este comentário, mas só, porque é uma pessoa ocupadíssima, claro)
O Da., que tem um blog com um nome muito invulgar onde coloca fotografias sobre o quotidiano e textos que são uma delícia.
A Alê que prometo visitar brevemente.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Que do silêncio nasça a vida!

Silêncio obscuro
Que me preenches,
Me levas por veredas
Inquietas e doces,
Despe-me dos meus
Enunciados inúteis
Varre-me de pulsantes
Tremores.
Silêncio de alma contido
Buscando no vale encantado
Proezas de horas incertas
Rumando em casos perdidos.
Silêncio jamais acabado
Caiando paredes desnudas
Gritando enormes bravuras
Caindo em praias desertas.
Silêncio fulgurante,
Estratega dos guerreiros
Visionários e hermitas
por quem as desditas
Jamais se levantam.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Munch (por mim)

O horror
Estampado em faces ovais,
Réplicas sonoras
De um grito insondável
E profundo,
Cavado na própria desordem cósmica.
A angústia
Talhada nos recortes
De um horizonte diluido
Pela insistência atroz
da vulgaridade.
Ondas
Estonteantes de um céu
Impregnado do cheiro acre
da morte.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Nos teus olhos

Nos teus olhos busco o silêncio
Que me tráz palavras ternas
De conceitos inefáveis
De momentos indizíveis.

Quebras-me o pranto
Tantas vezes conseguido
De vozes dolorosas
De mentes enlouquecidas.

Raios de luz
Que na escuridão se adivinham
São teus olhos nos meus
Vaiando o desconhecido.

Felinos, teus olhos
Que me acalmam a alma
De outras madrugadas
Que se avizinham.

quinta-feira, dezembro 29, 2005













Sabes Quem?

Sabes quem
doido perverso
está por trás
de cada verso?

É o mundo
a escuridão
poço negro
poço tão

cheio de algo
que não sei
mas que sinto
mas que achei

mas que tenho
ou sentirei
como signo
como lei
como coisa
que se tem

e se não quer
em ninguém...

Sabes quem?

João Rui de Sousa

segunda-feira, dezembro 26, 2005

The Day After

...nada como esta balada para me virem à memória tantas recordações de tantos Natais cheiiinhos de neve.

BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim...

É talvez a ventania
Mas há pouco, há poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...

Quem bate assim levemente,
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
Nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
Os passos imprime e traça
Na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
Da pobre gente que avança
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pezitos de criança..

E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los
Primeiro bem definidos,
– Depois em sulcos compridos,
Porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
Sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza..
– E cai no meu coração.

AUGUSTO GIL

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Um conto de Natal

Decorria o ano de 1983, e a professora de literatura “pediu-nos” para escrevermos um conto de Natal. Um conto de Natal?! fixe! Comecei logo a pensar no enredo, um príncipe, claro só podia ser um príncipe...que ajudava os mais pobres. E quase todos nós escrevemos um conto com estes ingredientes a que juntámos a neve, os presentes... Foram compilados e publicou-se um livro que oferecemos a toda a gente...família, amigos, conhecidos, enfim...
Hoje fui ao baú das memórias e lá estava o livro publicado com os nossos contos de Natal, meio amarelo já...Comecei a ler aleatoriamente e deparo com este conto de uma amiga que já não vejo há imensos anos.

"Perante a perspectiva de escrever um conto de Natal, confesso que me sinto um pouco atordoada. Primeiro, não me sinto inspirada nem tão pouco motivada para o assunto, depois não, não quero entrar no esquema tradicional de uma família rica e uma família pobre, nem da históriazinha piegas da tolerância, do prazer de dar, da generosidade que geralmente são apanágio desta época. Pergunto aos meus colegas - como é que vou fazer um conto de Natal? - Porque não fazes um teatro com personagens tais como o “sr. Pinheiro”, a “sra Lareira”, a “Neve”, o “coelhinho de chocolate”? - Não gosto de teatro – afirmo e dou voltas e voltas à cabeça. Uma ideia original, peço! Qualquer luzinha que brilhe distante e me ilumine, que eu cá por mim não estou nada iluminada. E depois, logo eu, que não gosto do Natal. O mesmo cenário todos os anos, a corrida às lojas, todo o fernesim que se transmite de uns para os outros, para culminar numa ceia à meia-noite com o bacalhau, o perú as filhós e as fatias douradas. Mas para além de tudo, há uma cena passada que não me deixou lá muito boa recordação desta época, confesso.
Por altura do Natal, tinha eu de idade pouco mais que os dedos de uma mão, a minha mãe, a propósito do tal sentimento tão apregoado do “dar” disse-me: “Vais receber tantos presentes novos que bem poderias dar essa boneca velha de borracha à Alice. A Alice era uma vizinha nossa, da minha idade, com quem eu brincava às vezes e cujos pais se debatiam com grandes problemas de ordem económica. Eu, que sempre me gabei de ser voluntariosa, fiquei vermelha, inchei de raiva, pois gostava sempre de decidir quando e como bem entendesse. Assim, a coisa ficou assente. Só que antes de me desfazer da boneca, não me esqueci de lhe morder o nariz de modo a que ela ficasse desfeada e o algodão de que era recheada começasse a sair pelo nariz. E assim, com a pequena vingança cometida, fiquei mais satisfeita comigo mesma. A minha mãe não fez comentários e penso que a boneca seguiu o seu destino, mas à socapa ainda a ouvi comentar com o meu pai: “É muito torta esta pequena” – e eu sorri furtivamente.
Entretanto, durante esse tempo todo tinha assediado os meus pais para me comprarem uma bela, horrível espanhola que faria as minhas delícias, grande, exuberante no seu vestido de cetim vermelho e uns belos saiotes de folhos. E assim, esperei ansiosamente pelo momento em que era permitido abrir as prendas. Havia um embrulho que se destacava dos outros pelo seu tamanho e pelo seu aparato. “É a espanhola” – dizia eu com os meus botões. Ao toque da meia-noite, eu e os meus irmãos caimos sobre os presentes. Lancei-me ao embrulho espampanante, verifiquei se, pela etiqueta, era para mim e como de facto era, rasguei-o todo numa fúria e vislumbrei logo os folhos, o cetim vermelho, a cabeleira que lhe caía pelos ombros. Mas quando a virei fiquei estarrecida. Lá estava ”a espanhola das minha delícias” com os olhos azuis pestanudos, uma boca carnuda de um carmesim vivo, somente no lugar do nariz um buraco enorme deformava-lhe o rosto. Num relance, percebi tudo. Larguei a boneca, atirei-a para o chão, onde se confundiam as fitas, os papéis de embrulho, os presentes numa grande confusão e corri para o meu quarto, enquanto as gargalhadas dos meus irmãos ressoavam nos meus ouvidos. De lá ainda gritei: "Não me dêem mais presentes, nunca mais me dêem presentes, porque eu não aceito, ouviram? Eu não aceito!" E as gargalhadas aumentaram ainda mais. Vem daí, talvez, o meu “complexo” de Natal."

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Réplicas imprevistas

"...ouvimos as coisas e traduzimo-las através do filtro de afectos e recordações, acabamos com dialecto próprio nos braços, feridas que o silêncio já não limita, abrindo, abrindo."

Muros - Júlio Machado Vaz



- Quando voltas?
- Não sei...precisarei de mais tempo para delimitar fronteiras e abrir novos ângulos.
- O coração não se compadece com esperas longas ou cumplicidades quebradas.
- Não sejas absurda. Nem sempre as pedras caem no formato previsto mas quando atiradas rugem que nem leões. Não é o caso.
- Porque sinto já saudades de ti?