quinta-feira, março 02, 2006

Quando a manhã "nasce" cinzenta

"Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. O que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder imenso, um certo concluio com Deus."

Vergílio Ferreira in Pensar

24 comentários:

legivel disse...

No comment ao seu post anterior nem a cumprimentei! estou cada vez mais despistado.
Mas agora redimo-me; espero que esteja em plena convalescença e que estes dias tenham sido passados da melhor maneira possível (isto até parece uma carta! e não um comment)...

O mar. Tenho um medo do mar que me pélo! Já tive um sonho em que caia de um de um navio abaixo (acima seria decerto improvavel... ) e nem uma mão caridosa me safou, imagine como é a condição humana! Claro que a partir daí, dormi sempre de colete de salvação vestido...

A sério, a sério, concordo com as suas palavras finais; "um poder imenso" que nos transcende e contra o qual nada poderemos fazer. O poder dos elementos naturais. De "conluio" com algo ou "alguém" que nos supera.

Tenha um óptimo dia!

Pólux disse...

Ir ver o mar, como se retornássemos às origens. Um nostálgico regresso à mãe-d’água, à bolsa amniótica, à matriz, de onde brota o manancial da vida. E, porque o mar é a matriz, cabe perguntar por que carga de água terão os Portugueses atribuído o género masculino “à mar”. Que erro tão grande foi esse, cometido pelos nossos antepassados e seguido pelos contemporâneos? Os Franceses é que sabem. E até os Espanhóis, que se ficaram pelo meio. Já os Italianos, nem tanto. :))

Com “a mar”, teríamos a igualdade dos quatro elementos da Mãe Natura - segundo os Antigos - perante a lei dos homens. Como se fora a aplicação concreta, aos elementos, do princípio da igualdade consignado no artigo 13º da nossa Constituição. Teríamos, assim, a terra e a mar dispostos numa metade do “hemiciclo” e o fogo e o ar na outra metade. Como se fora uma lei dimanada da AR. :))

É sempre bom ler Vergílio, o nosso.

Boa-tarde, Maite!

Parrot disse...

Devo confessar que sou um apaixonado pelo mar. O mar para mim é uma necessidade e ao mesmo tempo um refúgio.
Gosto da sua imensidão, da tranquilidade, da cor, do cheiro, é um elo de ligação. O mar tranquiliza-me. É um prazer imenso um passeio na praia….de preferência ao anoitecer.

“De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.”

Sophia de Mello Breyner –“Inicial”

Maite disse...

Caro Legível
O seu comentário abriu-me um grande sorriso :)
Muito obrigada.
Estou quase pronta para outra :)
Ainda não comecei a ver os filmes de Woody Allen que me tinha comprometido :(

Ai a condição humana! muito complicada, de facto. Mas tinha logo que escolher o alto mar....podia ser assim...pertinho da praia onde tivesse pé ;)))))))) e faz bem em dormir de colete de salvação. Homem prevenido vale por dois:)

E agora lembrei-me de um poema de Fernando Pessoa que termina assim:

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas foi nele que espelhou o céu"

Boa noite para si

Maite disse...

Pólux
Talvez seja isso...a nostalgia do lugar primitivo que nos faz regressar, vezes sem conta, à sua beira.
Realmente porque carga d'água isso foi acontecer. Mas sabe?! nunca me habituaria a tratar o Mar por a Mar (estranho).
Mas concordo com a sua disposição dos elementos da Mãe Natura no "hemiciclo"... em partes iguais :))))

Vergílio, o nosso, revejo-o muitas vezes.

Boa noite para si :)

Maite disse...

Parrot
Obrigada por trazer aqui esse poema de Sophia de Mello Breyner. Lá tem tudo. Que dizer mais!

Boa noite para si :)

Parrot disse...

Maite,

Sophia de Mello Breyner tem uma relação muito especial com o mar (ao exemplo de todos os Portugueses, não fossemos nós um povo de Caravelas), daí ter vários poemas (lindíssimos) sobre o mar. Sabe Maite, estas coisas dos blogs tem coisas curiosas. Ontem quando cheguei a casa dei por mim a folhear os poemas de Sophia de Mello Breyner que estavam “estacionados” na prateleira à bastante tempo.
E entre vários encontrei este:

“Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade”

Quem tem de agradecer sou eu…..

Bom dia

lobices disse...

...venho agradecer e retribuir a amável visita...
...um beijinho e bom fds

Maite disse...

Parrot
Tem toda a razão. É isso que fascina nos blogs, a troca de ideias e nos fazer ir à procura de coisas que estavam um bocadinho esquecidas. Muito bonito esse poema da Sophia :)

Bom dia para si, apesar da chuva (mas como eu até gosto (de dias de chuva) estou quase no "paraiso" :)

Maite disse...

Lobices
Bom dia para si e bom fim de semana :)

Maite disse...

Alguém me sabe dizer porque não consigo entrar nos blogs do Pólux?! :(

Parrot disse...

Maite,

Eu diria que está em "Vales de silêncio e paraisos secretos" :)))

Beijo

Maite disse...

Parrot
Às vezes apetece mesmo estar assim em "Vales de silêncio e paraisos secretos". Sabe de quem é a frase?

Uma boa tarde para si

Parrot disse...

Maite,

Penso que é de Saint-Exupéry.
Certo?

Beijo

Ps-Deve ter havido algum problema com os blogs do Polúx. Tb não consigo entrar.

Mitsou disse...

Venho deixar um beijinho de sol neste sábado que teima em acinzentar-se.

Bom fim-de-semana, Maite.

P.S. Também não consigo aceder aos blogs do Pólux.

Maite disse...

Parrot
Certo :)
"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos." Saint-Exupéry

Maite disse...

Mitsou
Um bom fim de semana para si também.

Muito estranho não se conseguir entrar nos blogs do Pólux. Será que foi de férias? Será que se cansou dos blogs?! Na quinta feira passei por lá e comecei a ler o texto mas estava tão cansada que não consegui passar das primeiras linhas e pensei passar no dia seguinte. Agora desapareceram :(
Espero que seja apenas um problema de acesso e que se resolva logo.

PiresF disse...

Vergílio Ferreira, tem uma frase lapidar que não sei se conheces, por isso aqui fica:

"Somos um país de analfabetos. Destes alguns não sabem ler."

PiresF disse...

Sabias que fez no dia 1 dez anos que morreu?

mixtu disse...

o mar tb me fascina...
jinhos, excelente post

Maite disse...

Caro PiresF
Conheço essa frase. Penso que se referia ao analfabetismo funcional ou a uma iliteracia reinante. Mas penso que também se referia à arrogância de que alguns "sofriam".

E deixo aqui outra grande frase de Vergílio Ferreira que muito se relaciona com o meu post anterior.

"Nós sofremos com a morte porque não nos foi infligido o horror de não podermos morrer”.

Fez dez anos no dia 1 de Março e nesse dia sempre me lembra "Manhã submersa".

Resto de bom domingo para si

Maite disse...

Mixtu
O Mar não deixa ninguém indiferente!

Resto de bom domingo para si

PortoCroft disse...

"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos." Saint-Exupéry

Maite,

Pormos o pessoal a visitar isso tudo... Vc. a vender bilhetes e eu a depositar na minha conta bancária... maravilha! ;)))))

Maite disse...

Portocroft
Já imaginou a dupla de sucesso?! Só discordo dessa parte em que você seria o fiel depositário do ouro arrecadado. Meu caro, teria de ser fifty/fifty ou então nada feito ;)))))

Boa noite para si :)