sexta-feira, julho 20, 2007

Pensamento do Dia

A crise da Direita não vem de dentro dela própria. Não procurem explicá-la por via das "guerrilhas internas". A crise da Direita deve-se a um único factor: Ela e a "Esquerda moderna" (leia-se PS) são indiferenciáveis.

32 comentários:

mixtu disse...

a dificuldade da direita reside na falta de um lider carismático...

abrazo europeu

PortoCroft disse...

Quase...

Fica sempre bem um quase... :)))

Bom Domingo.

Maite disse...

Caro Mixtu

Exactamente. É aí que "bate o ponto". Sendo as actuais políticas indiferenciáveis, a diferença é que o PS tem um líder com carisma e a direita não tem. Se Marques Mendes conseguisse, eventualmente, subverter a conjuntura desfavorável, tornar-se-ia um bom líder e o PSD conseguiria arrecadar pontos para 2009 [o que será uma tarefa hercúlea (para ele), senão impossível]. Mas temos de convir que os outros eventuais candidatos (que já deixaram de o ser porque, pelos vistos, não estavam reunidas todas as condições para avançar) não merecem mais crédito. Um líder carismático é-o porque consegue arranjar estratégias para superar hecatombes. É nessas condições que nascem grandes líderes, não em "caminhos de rosas".

abrazo europeu e um bom domingo para si

Maite disse...

Caro Portocroft

A minha consciência de cidadã tinha-me alertado para essa nuance do "quase", mas muitas vezes não lhe dou ouvidos :))))

Bom domingo

P.S. será que o "quase" é muito significativo neste contexto político actual?

mixtu disse...

o psd que se fie na virgem e não corra...

yayaya

sócrates é carismático, tal como foi guterres e o ferro rodrigues

o barroso também... com a sua saída ou fuga... veio a anedota e agora alguem que não tem carismo nem tamanho

aguarada-se por Rio, não em 2009, pois ele sabe que essa data é socrática...

abrazo, e assim se faz a blog...

Maite disse...

Caro Mixtu

Exactamente. E tem mesmo que correr uma maratona...sabendo que está condenado à partida.

Penso que Sócrates é.
Quanto aos outros não me pronuncio, até porque acho que é "malhar em ferro frio" :))))

Por isso é que disse que era uma tarefa hercúlea para ele mas, será mais pela falta de carisma do que pelo tamanho...ou será que o tamanho também tem influencia?! :))

Tenho a certeza que na segunda década do séc XXI novos líderes surgirão.
Aliás, acho que seria uma boa ideia que os partidos criassem no seu seio escolas para formar políticos que não fossem "aprendizes de criminalidade política", como alguém disse. Deviam lembrar-se mais vezes dos seus deveres cívicos e não apenas em altura de eleições

Abrazo e, de facto, assim se faz a blog...

Zénite disse...


E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase,
E a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.

Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,

Eu, que sou mais irmão de uma árvore que de um operário,

….


Álvaro de Campos, “Passagem das horas”

Maite, onde se lê “Eu”, leia-se “Eu, José Sócrates de Carvalho …e Melo”. Dois nomes iguais aos do Marquês já ele tem.

Quanto a:

Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,


aplica-se a todos os nossos políticos.

Noite tranquila e um abraço.

legivel disse...

Cara Maite:

No futebol, costuma dizer-se que, quando há duas equipas que têm o mesmo sistema de jogo, "encaixam uma na outra". Ou seja, o espectáculo competitivo anula-se a si próprio.
Os dois maiores partidos portugueses "quando se encontram" (eleições), não "marcam golos". Empatam. Empatam-se. E os eleitores não gostam do "desafio". Por isso, cada vez vão "menos ao futebol". Abstêm-se de espectáculos tão pobres...

Tenha uma óptima semana!

Maite disse...

Caro Zénite

Alguém dizia, no outro dia, que hoje fazem falta a ironia e a capacidade de rirmos de nós próprios, ao bom jeito de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós e... porque não a lucidez (sóbria) de Álvaro de Campos, também?
Proponho que se afixem versos à entrada do hemiciclo. :)

Olhe que nunca tinha pensado nisso (dos nomes)...será que é algum prenúncio?!

Uma boa noite para si e um abraço

P.S. e bem aparecido seja

Maite disse...

Caro Legível

Muito interessante a sua analogia :)

Diz-se que a abstenção é uma forma de protesto e que obriga o sistema partidocrático a uma reflexão profunda sobre as estratégias em que se tem apoiado. Será?! Será que vamos ver uma reformulação no sistema reaccionário dos partidos desde os de direita até aos de esquerda?! Seria um bom começo mas…duvido! A abstenção sempre foi sinónima de demissão e estou muito céptica quanto ao facto de ela gerar mudança.

Tenha uma óptima semana, também

PiresF disse...

Para estar 100% de acordo, era necessário que a Direita, não tivesse medo de fazer o que a suposta esquerda Socretista está a fazer.

Abraço.

Zénite disse...

Cara Maite,


É uma óptima ideia, essa da afixação de versos (ou prosa) à entrada do hemiciclo.

Se Eça pudesse aparecer no hemiciclo, diria que a visão que certos políticos têm da democracia não passa duma “choldra torpe”.

E já agora, creio que Camilo voltaria a dizer:


“Como eles são tantos, não há que estremá-los por excelirem uns entre os outros, pelo que lhes chamamos simplesmente, e sem excelência, bestas."

Camilo Castelo Branco in "Narcóticos"

Abraço e uma tarde amena para si.

P.S.: se soubesse o trabalho que tive para conseguir os “Narcóticos” - em fotocópia - só por causa desta frase! Parece que a obra há muito se encontra esgotada. Foi o que me disseram os entendidos.

Maite disse...

Caro PiresF

Também é um argumento.
Será que Luís Filipe Menezes irá colmatar essa lacuna?! Ele pensa que sim. Nós estamos cá para ver.

Abraço e boa noite para si

Maite disse...

Caro Zénite

Penso que sim...relembrá-los-ia que são gente comum e que estão lá pela causa pública e não por interesses mesquinhamente individuais.

Relembrando também As Farpas de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão:
"Há um mês inteiro que os srs. deputados, sob o pretexto de acordarem na colocação de um adverbio ou no significado de um adjectivo para a confecção de um período banal, se discutem a si próprios; chamam-se reciprocamente desordeiros, caluniadores e ineptos; e documentam e provam entre uns e outros, de partido para partido, que são efectivamente desordeiros, conspiradores, caluniadores e ineptos.
As galerias enchem-se. Enchem-se de uma multidão desocupada e ociosa, que não vai á câmara levada pelas curiosidades científicas, nem pelos interesses patrióticos. Vai apenas desfrutar os contendores, rir-se d'eles, apupa-los no fundo da sua consciência, e - o que é pior que tudo — perverter-se e desmoralizar-se no contacto da corrupção. Vão ver a maledicência dilacerar as reputações, como as feras nos circos romanos dilaceravam os mártires, e aprender no exemplo dos novos gladiadores do decoro a desprezar a honra diante do insulto, assim como nas antigas lutas do gladio se aprendia a desprezar a vida diante da peleja. (...)
E eis aí no mais alto das instituições a escola pública em que o povo tem de aprender a ser digno e honrado!
Tome-se sobre o discurso de cada deputado a soma das afirmativas e negativas que fizeram em todos os princípios gerais da política e da administração: ver-se-á pela exposição integral das verbas correspondentes ás opiniões de cada partido e de cada individuo, que todos afirmaram e que todos negaram exactamente as mesmas coisas."

Quão actuais continuam os nossos grandes escritores! Infelizmente :(

Abraço e uma boa noite para si

P.S. então eu só posso agradecer que tenha deixado aqui a frase. :) Na verdade é uma obra de Camilo Castelo Branco que nunca li. Sei apenas que foi escrita no mesmo ano em que escreveu O Perfil do Marquês de Pombal

PiresF disse...

Sabe… estou convencido que o Menezes não é muito diferente do Santana; muita imagem, pouca estaleca e jeito de cowboy. Lembra-se dele naquele célebre congresso da gafe dos sulistas, a chorar à saída?
Mas concordo consigo quando na resposta à Mixtu refere a necessidade de se formarem políticos, só não sei se estes partidos têm capacidade de arranjar bons formadores.

Abraço.

Zénite disse...

Cara Maite,

Obrigado pelo belo texto.

A propósito do trabalho conjunto em “As Farpas”, escreveu Eça, sob o título “Ramalho Ortigão”, referindo-se ao estilo deste último: “tem uma linguagem viva, colorida, bem cunhada, duma grande elasticidade e de uma grande solidez, ferindo admiravelmente, colando-se à ideia como um estofo, ao mesmo tempo prática e resplandecente”.

Dizia, ainda, de Ramalho: “ tem perseguido, sem descanso, os vícios portugueses – pequenos e grandes. Não os deixa: ora vergastando-os com sarcasmos, ora persuadindo-os com reflexões (…)

Mas estranhei este excerto: “ (…) tem, por todos os modos, procurado desviá-lo (ao lisboeta) da preguiça, da frequentação da poesia lírica, da abuso da mexeriquice, das fortunas arruinadas em chapéus novos e fraques de casimira (…)
(G. Enc. Port. e Bras.)

Tudo bem quanto à mexeriquice, chapéus, fraques e quejandos, mas não gosto nem aprovo esta da “frequentação da poesia lírica”. Por certo algo me escapa.
Será que Ramalho – e só vou referir Camões – apreciava somente a sua poesia épica , e não a lírica? Ou será que era demasiado dispendioso o acesso aos saraus? :)

Abraço e um bom dia para si, Maite.

Parrot disse...

Aquilo que vemos é uma parte (pequena) entre aquilo que é e o que perece. Do meu ponto de vista cada vez menos tem sentido em falar em direita (PSD e CDS) e esquerda (PS), misturam-se, tocam-se e confundem-se. Já lá vai o tempo quando acreditava ideologias...agora penso que não tem sentido porque, de certa forma, são o contrário do que dizem....acredito na liberdade de pensar...
O problema é que vivemos num tempo de "políticos profissionais", que se protegem e se reproduzem....quantos deputados temos eleitos pelo mérito e pela competência? Poucos.
È necessário explicar como se sobe dentro de um partido…?
Vivemos numa época de crise, não só de valores mas de liderança, também como consequência da constante incongruência entre aquilo que se diz e aquilo que se faz.
O PDS não tem um líder forte (não falo de altura), nem vai ter nos próximos 8 anos. O Menezes vai ser “carne para canhão”….depois quem sabe se aparecem alguns dispostos a avançar.
Bom fim-de-semana

Zénite disse...

Cara Maite

Perdoará trazer aqui esta crónica do Dr. António Barreto, devido à sua grande extensão, mas gosto tanto de saber que nem toda a gente dorme no PS!

OPA SOBRE O PAÍS


Por Dr. António Barreto (*)


"É a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar.


Não. Não se trata do lançamento de mais uma OPA sobre empresa ou clube desportivo. É, simplesmente, a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar.

Quando o Governo de Sócrates iniciou as suas funções, percebeu-se imediatamente que a afirmação da autoridade política era uma preocupação prioritária. Depois de anos de hesitação, de adiamentos e de muita demagogia, o novo primeiro-ministro parecia disposto a mudar os hábitos locais. Devo dizer que a intenção não era desagradável. Merecia consideração. A democracia portuguesa necessita de autoridade, sem a qual está condenada. Lentamente, o esforço foi ganhando contornos. Mas, gradualmente também, foi-se percebendo que essa afirmação de autoridade recorria a métodos que muito deixavam a desejar. Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. Ninguém gosta, pois claro, mas há quem não se importe e ache mesmo que seja inevitável. O primeiro-ministro importa-se e pensa que tal pode ser evitado. Quanto mais não seja colocando as pessoas em situação de fragilidade, de receio ou de ameaça.

Vale a pena recordar, sumariamente, alguns dos instrumentos utilizados. A lei das chefias da Administração Pública, ditas de "confiança política" e cujos mandatos cessam com novas eleições, foi um gesto fundador. O bilhete de identidade "quase único" foi um sinal revelador. O Governo queria construir, paulatinamente, os mecanismos de controlo e informação. E quis significar à opinião que, nesse propósito, não brincava. A criação de um órgão de coordenação de todas as polícias parecia ser uma medida meramente técnica, mas percebeu-se que não era só isso. A colocação de tal organismo sob a tutela directa do primeiro-ministro veio esclarecer dúvidas. A revisão e reforma do estatuto do jornalista e da Entidade Reguladora para a Comunicação confirmaram um espírito. A exposição pública dos nomes de alguns devedores fiscais inscrevia-se nesta linha de conduta. Os apelos à delação de funcionários ultrapassaram as fronteiras da decência. O processo disciplinar instaurado contra um professor que terá "desabafado" ou "insultado" o primeiro-ministro mostrou intranquilidade e crispação, o que não é particularmente grave, mas é sobretudo um aviso e, talvez, o primeiro de uma série cujo âmbito se desconhece ainda. A criação, anunciada esta semana, de um ficheiro dos funcionários públicos com cruzamento de todas as informações relativas a esses cidadãos, incluindo pormenores da vida privada dos próprios e dos seus filhos, agrava e concretiza um plano inadmissível de ingerência do Estado na vida dos cidadãos. Finalmente, o processo que Sócrates intentou agora contra um "bloguista" que, há anos, iniciou o episódio dos "diplomas" universitários do primeiro-ministro é mais um passo numa construção que ainda não tem nome.

Não se trata de imperícia. Se fosse, já o rumo teria sido corrigido. Não são ventos de loucura. Se fossem, teriam sido como tal denunciados. Nem são caprichos. É uma intenção, é uma estratégia, é um plano minuciosamente preparado e meticulosamente posto em prática. Passo a passo. Com ordem de prioridades. Primeiro os instrumentos, depois as leis, a seguir as medidas práticas, finalmente os gestos. E toda a vida pública será abrangida. Não serão apenas a liberdade individual, os direitos e garantias dos cidadãos ou a liberdade de expressão que são atingidos. Serão também as políticas de toda a espécie, as financeiras e as de investimento, como as da saúde, da educação, administrativas e todas as outras. O que se passou com a Ota é bem significativo. Só o Presidente da República e as sondagens de opinião puseram termo, provisoriamente, note-se, a uma teimosia que se transformara numa pura irracionalidade. No país, já nem se discutem os méritos da questão em termos técnicos, sociais e económicos. O mesmo está em vias de acontecer com o TGV. E não se pense que o Governo não sabe explicar ou que mostra deficiências na sua política de comunicação. Não. O Governo, pelo contrário, sabe muito bem comunicar. Sabe falar com quem o ouve, gosta de informar quem o acata. Aprecia a companhia dos seus seguidores, do banqueiro de Estado e dos patrícios das empresas participadas. Só explica o que quer. Não explica o que não quer. E só informa sobre o que lhe convém, quando convém.

É verdade que o clima se agravou com o tempo. Nem tudo estava assim há dois anos. A aura de determinação cobria as deficiências de temperamento e as intenções de carácter. Mas dois conjuntos de factos precipitaram tudo. O caso dos diplomas e da Universidade Independente, a exibir uma extraordinária falta de maturidade. E o novo aeroporto de Lisboa, cujo atamancado processo de decisão e de informação deixou perplexo meio país. A posição angélica e imperial do primeiro-ministro determinado e firme abriu brechas. Seguiu-se o desassossego, para o qual temos agora uma moratória, não precisamente a concedida aos estudos do aeroporto, mas a indispensável ao exercício da presidência da União Europeia.

De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que "o professor de Sócrates" foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da imprensa! Quando as redacções dos jornais não resistem à demagogia velhaca e sensacionalista, quase dão razão a quem pretende colocá-las sob tutela..."

(*) Sociólogo e ex-Ministro da Agricultura do Partido Socialista

In Público, 22JUN2007


Bom serão e uma noite tranquila.

mixtu disse...

falas em crise, sabes o que é em s. martinho do porto?


beijinhos...

sobre sócrates, há muito convidado a ser militante do ps, aceitei quando da questão da licenciatura dele, tive-o como "padrinho" de militância...
sou de causas e de outras cousas...
abrazo

legivel disse...

Cara Maite:

O seu post gerou aqui um interessante diálogo blogsférico.Parabéns.
Sendo verdade que a época estival já não é o que era (no que às temperaturas concerne) este ano vou pela primeira vez* de férias em Agosto. Se este é o mês em que "o país pára" porque raios não hei-de também experimentar o sabor dessa paragem?
Tenha um óptimo mês de Agosto.

* Exceptuando as férias grandes escolares. Bons tempos...

Maite disse...

Caro PiresF

Digamos que é muito temperamental, o que não abona muito a seu favor.

Penso que qualquer um será apenas "carne para canhão" como diz o Parrot ali em baixo.

Quanto à formação de políticos, os partidos também deveriam passar pelo crivo da "utilidade pública" como as universidades. É o mínimo que se exigiria.

Abraço e boa noite para si

Maite disse...

Caro Zénite

Nota-se a enorme cumplicidade que havia entre os dois e uma grande admiração mútua sem lhes toldar o juizo que faziam do trabalho um do outro.

Não se pode concordar em tudo :) Digamos que tinham uma certa aversão ao ambiente que a poesia lírica proporcionava :)) preferindo os grandes valores veiculados pela poesia épica (?!) :)

Abraço e boa noite para si

Maite disse...

Caro Parrot

Mas já viu que cada vez se ouve falar mais nisso? a direita - PSD/CDS e a esquerda - PS. Os outros são tidos como a extrema esquerda.

Penso que muito poucos e ainda pior é que a maior parte das vezes os eleitores nem sequer conhecem os deputados porque eles estão cada vez mais afastados daqueles que os elegem. Encontram-se nas campanhas no folclore do costume.

Como os microcosmos dos partidos são o espelho da sociedade em geral sobe-se pela eterna cunha.

O PSD é um barco à deriva, de facto.

Boa noite para si

Maite disse...

Caro Zénite
Queira perdoar o tom, um tanto ou quanto, jocoso da resposta :)

Com este artigo de António Barreto, fiquei a saber que estamos a um passo da ditadura que vem precisamente de um partido que tanto acalentou e diz acalentar o sonho de liberdade.
Exorto o povo português a insurgir-se, de forma veemente, contra este eventual retrocesso civilizacional, já que os políticos e os históricos dos partidos (incluindo os do PS que se limitam a escrever artigos de opinião ou a candidatar-se como independentes quando lhes dá jeito, continuando bem instalados e acomodados no sistema que tanto abominam) parecem ser incapazes de se insurgir, de forma prática, contra esta personalidade (a de Sócrates) extremamente perversa que trocou as voltas ao sonho de Portugal continuar a ser uma republica das bananas.
Ora o que é uma sociedade verdadeiramente livre?
É aquela que não tem medo de enfrentar “os lobos maus”, e que se insurge contra aquilo que julga estar mal. Ora se o governo fizesse tudo tão bem,… tão bem, …tão bem…, a sociedade civil perderia, com o tempo, a capacidade de lutar pelos seus direitos e habituar-se-ia a pensar que a palavra “lutar” não significa nada a não ser lutar contra o tédio que se instalou na vidinha de cada um.
Pois continue o governo a dar-nos razões para lutarmos (no verdadeiro sentido do termo)…nada melhor para animar as hostes portuguesas :)

Boa noite para si

Maite disse...

Caro Mixtu

A crise de s. martinho do porto?! ora aí está algo que me escapa (deve ser da hora tardia a que leio e escrevo).

Mixtu, acabo de ter uma ideia brilhante :)
Candidate-se à presidência do PSD. É um partido com enorme potencial que precisa de um lider que abrace causas. Nós por cá fazemos campanha por si :)

abrazo e boa noite para si

Maite disse...

Caro Legível

Tudo obra dos meus excelentes visitantes :)


Boas férias para si. Mais uma semana e também eu, finalmente, vou de férias :)

mixtu disse...

nós por cá?
se forem milhoes... yayaya

sou de causas, muitas... mas isso era falar não do mixtu mas de quem está por detrás, e aqui sou um misto de qualquer cousa, yaya

cortazar, acredita que fui à livraria de sabugueiro e apesar de estra registado no pc, não havia...

um abrazo, o meu texto é de galatea, em conversa... tens que vir com familia ao chile... a 1ª parte, depois continua...)

um beijo, ups, abraço, sou de abraços

PortoCroft disse...

Cara Maite,

É significativo, claro. Veja o que acontece entre o PS e o PSD. O primeiro, com esta liderança - a que podemos chamar o ¨New Labour¨ português -, embora doutrinariamente seja um partido do centro-esquerda, age como sendo aquilo que o Dr. Mário Soares chamava o ¨partido de charneira¨ do espectro político. Ao centro, claro. :)

Isso faz com que, o PSD, que doutrinariamente é um partido de centro direita, veja-se na contingência de pulverizar a importância que o CDS teve, guinando à direita também.

Ou seja, doutrinariamente, existem diferenças e, circunstancialmente, continuam a existir. Tudo porque, para os políticos actuais, em Portugal como em qualquer lado, o importante não é tanto a fidelidade aos princípios com que os seus partidos foram criados mas, a sobrevivência aos condicionalismos pontuais, políticos e económicos, de origem nacional e/ou internacional.

Este fenómeno de bipolarização, não sendo novo - veja o que acontece no Reino Unido, Estados Unidos e demais democracias firmadas -, é como a Toyota, veio para ficar. :)

Os partidos que ocupam as franjas e que, por si, têm posições que pouco colhem em termos de resultados eleitorais, limitar-se-ão a ser - e é importante que isso aconteça - o repositório de ideais perdidos. :)

Um bom dia para si.

Maite disse...

Caro Mixtu

Se fossem milhões????? isso seria um caos :))) Já imaginou liderar uma campanha com milhões????? :))) Bastam umas dezenas para convencer uns milhões (bem, milhões não digo mas milhares. afinal não precisa assim de tantos) :)

Conheci Cortazar quando postou o conto do engarrafamento no seu blog. Nunca tinha visto nenhum livro dele e este pequeno livro "Blow up e outras histórias" apareceu, inesperadamente, no meio de tantos outros. Se o procurasse não o encontraria. Há coisas assim!

No outro dia procurava um livro de Nuno Júdice, procurei em toda a livraria do cc até que por fim, desanimada, fui ter com o empregado, ele foi verificar no pc e viu que havia um. Começamos a procurar, literalmente, a vasculhar a livraria e não o encontrámos. Passados uns dias voltei a passar por lá e já havia livros de Nuno Júdice :) (mas eu já tinha comprado noutra) :)

Já passo por lá para ler o conto de Galatea :)

Chile?! Estou pronta para escalar os Andes :)

Abrazo e boa tarde para si

Maite disse...

Caro Portocroft

Tomando a problemática por essa perspectiva (a bipolarização do sistema – que será o caminho inevitável de uma democracia moderna) o futuro líder do PSD terá como primeiro encargo a aglutinação das forças que se posicionam entre o centro e a direita o que vai levar, sem dúvida, à pulverização do CDS. Portanto, e seguindo o caminho da inevitabilidade, a hecatombe deste partido nas intercalares de Lisboa foi já o começo de uma morte anunciada.
Ora, e aqui quem aparece como promotor desta mudança? Penso que José Sócrates ficará na História deste país por várias razões e uma delas será por este reequacionar de prioridades dentro do sistema partidário.
Os pequenos partidos que, eventualmente, sobreviverem, serão então o repositório de ideais perdidos (o que não vai agradar nada nem ao PCP nem ao BE, que à medida que os anos pesam nos ombros dos seus dirigentes se irão fundir em qualquer um dos grandes).

Um bom dia para si, também

P.S. e não é que começo a ficar surpreendida com a dinâmica que Gordon Brown está a incutir à sua governação! :) (não é uma sombra de Blair como comecei por pensar que fosse e está a deixar a sua própria marca) por este caminho começo a acreditar que continuará em Downing Street e que os conservadores vão ter que esperar por melhores dias.

mixtu disse...

quedamos afastados da politica
um dia convidaram-me, por ser o meu irmão, aceitei concorrer... em último da lista...
ganhou, maioria relativa, mas como toda a gente disse que tinha votado nele, pensámos em recontar os votos,

ps. por amor da verdade, acabei por ser o penultimo, um sr. médico desejou ser o último, e eu... simples pastor...

Maite disse...

Caro Mixtu

Penso que a "serra" ainda é o melhor sítio :)