quarta-feira, fevereiro 15, 2006

E quando a gente se sente assim...?

Apetece-me deitar a vida para trás das costas
Esquecer que alguma vez existi
Ficar suspensa entre o norte e o sul
Em lugar nenhum.

Apetece-me deambular no meio do nada
Em lugares onde não há esperança
Assim como neste onde estou
E ficar lá, sem regresso.

Apetece-me dizer que não estou, que não sou
Que o que vêem é uma sombra.
Exígua sombra de nada.

Apetece-me escurecer debaixo da lua
Gritar um último grito de dor exangue
E desaparecer no meio das nuvens.

Aprendi que o dia seguinte é um outro dia em que tudo pode acontecer. Até o impossível ;)

23 comentários:

Mitsou disse...

Belíssimo poema que ilustra exemplarmente um sentir de todos nós em tantos dias. Só que nem todos sabem descrevê-lo de forma tão poética. Gostei muito...e o dia seguinte chega, sim, cheio de potencialidades :)

Um beijinho.

mixtu disse...

Belissimo.
A poesia é intemporal.
Se porém... não te esqueças que não há dia sem sol
jinhos

clotilde disse...

Muito bonita!

Os dias são assim, e o dia de amanha ninguem sabe como é.

Beijinhos

lobices disse...

...entre o possível e o impossivel, está a vontade do Homem
...um beijinho

PortoCroft disse...

;) ;) ;)

Boa noite! ;)

PiresF disse...

Nada como o travesseiro para derrotar as angústias e os medos. O dia seguinte é sempre melhor.

Maite disse...

Mitsou
É verdade...todos temos alguns dias assim...mas como diz o PiresF "Nada como o travesseiro para derrotar as angústias e os medos." E acreditar que o dia seguinte é sempre melhor. Lembro-me de alguém ter no seu perfil esta frase "Um dia serei ainda mais feliz".

Bom dia para si :)

Maite disse...

Mixtu
Não esqueço...por isso dou tanto valor a tudo de bom que acontece no meu dia :)

Bom dia :)

Maite disse...

Clotilde
Amanhã será também aquilo que quisermos...como diz o Lobices "entre o possível e o impossivel, está a vontade do Homem" ou como dizia Francesca no filme "As pontes de Madison County": "Nós somos também aquilo que escolhemos ser".

Bom dia para si :)

Maite disse...

Lobices
E a essa sua frase acrescentaria que é no amor que encontramos o sentido da nossa existência.

Bom dia para si :)

Parrot disse...

Maite,

Aqui está um belo poema à sua imagem.;))
Mas afinal que é o impossível?

Que tenha um bom dia.

Beijos

Obg, pelas suas palavras.

Maite disse...

Portocroft
;) ;) ;)

Bom dia! ;)

Maite disse...

PiresF
De facto. A maior parte das vezes só precisamos de uma noite tranquila para que as nossas célulazinhas cinzentas nos indiquem o caminho :)

Bom dia para si :)

Maite disse...

Parrot
Vê?! Nada é impossível quando o Homem quer ;)

Bom dia :)

legivel disse...

Juro que não tenho bálsamo para tal... porque nunca nunca me senti assim.

Jamais ficaria suspenso entre o norte e o sul; por isso, viajei hoje até aos seus domínios a norte, sem paragem em qualquer estação de serviço.

PortoCroft disse...

Maite,

E hoje, que já é o dia seguinte - por isso, ontem, só sorri - o que nos tem a dizer?

Continua a querer: "Gritar um último grito de dor exangue
E desaparecer no meio das nuvens."? ;)

Bom dia para si.

Maite disse...

Caro Legível
Uma boa viagem par si lá pelo norte e quando vier para o sul (imagino que seja daqui algures no "sul"), vá descansando nas estações de serviço. Aliás, será uma boa oportunidade para "olhar" os viajantes :)

Boa tarde para si :)

Maite disse...

Portocroft
O dia seguinte, depois de uma noite tranquila em que, inconscientemente, analisei todas as nuances, já não é obscuro mas pelo contrário olho as coisas com mais objectividade e bom senso. Por isso disse que aprendi a não desesperar. A idade traz-nos coisas boas, de facto. Aprendemos, aprendemos até a "ultrapassar-nos" :)

Boa tarde para si :)

Parrot disse...

Maite,

E quando a mulher quer? Penso que também não existe impossíveis.

Boa noite

Maite disse...

Parrot
Penso que também não. É essa a magia do ser humano :)

Bom dia :)

Pólux disse...

Gostei de ler, Maite.

E, porque - embora sem saber bem porquê - este seu poema, no seu desalento (dele, poema), me trouxe à mente um outro, aqui trago um pequeno excerto do mesmo.
No entanto, o seu “posfácio” (da Maite, entenda-se) não é de desesperança e sim de alento, e ainda bem que assim é.:)

(...)
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
(...)

O Corvo, de Edgar Allan Poe (trad. de Machado de Assis)

Bom fim-de-semana.

Maite disse...

Pólux
Antes mesmo de abrir a caixa de comentários, vi que tinha mais um e pensei, este é do Pólux. Quando abro a caixa, ela remete-me de imediato lá para baixo e quando vi os últimos versos tive a certeza que era seu:) Subi o comentário e as minhas suspeitas confirmaram-se:). É interessante como vamos conhecendo a maneira de escrever de cada um! :)

Já li O Corvo e outras histórias tétricas de Allan Poe. Aqui fica mais um excerto do dito :)

(...)Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial Dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão relectia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora no céu anjos chamam Leonora,
E que ninguém chamará jamais.(...)


Bom fim de semana.

Pólux disse...

Maite,
Sou um admirador incondicional de Allan Poe.

Ainda sobre a estrofe que aqui nos traz, é interessante verificar que um outro tradutor – o nosso Fernando Pessoa – nem sequer transcreve, nessa tradução, o nome de Leonora. O Poeta, usando da faculdade conferida pela tradução, não se limita à transcrição da equivalência das palavras. Ao invés, ultrapassa-a fazendo jus à “alquimia misteriosa” de que gozam as traduções das obras literárias (Jorge Luís Borges). Assim, em meu entender, o poema parece ser feito a quatro mãos e não a duas. Aliás, feito a tantas mãos quantas as traduções, desde que por “quem de direito”. :) )

E. A. Poe

(...)Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore(...)


F. Pessoa

(...)Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!(...)



Folgo pela amizade entre as duas gatinhas. :))

Uma boa tarde de Domingo para si.