quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Estou em completa expectativa!(...)

Versos por Maria invocados de modo desonesto por incompleto (Prometo te querer até o amor cair doente, doente/ Prefiro então partir a tempo de poder a gente se desvencilhar da gente). Só falta esperar do Pedro que agradeça o favor. Últimas frases caladas por não lhe convirem...Joguei limpo, aí estão, entre parêntesis, como a vida dele.
“Depois de te perder/ Te encontro com certeza/ Talvez num tempo da delicadeza/onde não diremos nada, nada aconteceu/ Apenas seguirei encantado ao lado teu”
Tempos de delicadeza e silêncio, nada aconteceu. Encontros por aí, terra pequena, você está bem? E ele encantado...
Desistir do amor será talvez inevitável, mas seguramente obsceno.


Final do Cap. VIII de Muros - JMV

O narrador é, por ventura, irritante de tão consciente do estado de alma de cada um, mas ao mesmo tempo é um elemento essencial da história, diria mesmo que se tornou também ele uma personagem sem querer.

8 comentários:

Mitsou disse...

Trazendo para este a (minha) leitura do post anterior, e não tendo (ainda) lido o Muros, penso que a vida a dois é feita de textos a quatro mãos mesmo em teclados distantes. A comunicação perde-se quando, perante o mesmo, cada um vê letras diferentes.

Um beijinho e votos de um óptimo fim-de-semana (livre da constipação).

alice disse...

todo o narador é um personagem, senão mesmo parte de cada um dos seus personagens, no fundo, estes são por escrito aquilo que o narrador é por dentro e só assim pode vivenciar
beijinho,
alice

legivel disse...

Não li e provavelmente não lerei; tenho meia-dúzia de livros à cabeceira há dois meses (coisas do natal passado... )e ainda não comecei nenhum deles.

Isso de o narrador se tornar "um elemento essencial da história" tem as suas vantagens; torna mais credíveias as personagens relatadas. E também não me preocupa que , de quando em vez meta a colherada na dita... desde que não estrague a história. Às vezes a cegueira da visibilidade deita tudo a perder...

As melhores e um bom fim de semana... com o W.A.

Pólux disse...

Maite,

Como não li o livro, não posso fazer comparações, mas arrisco dizer que o texto me transportou, sem eu saber porquê - como sempre - :) para a "Rosa Púrpura do Cairo" em que o actor principal até tem o condão de sair da tela e mudar o rumo à história. E ele, que nem sequer era o narrador!:))

Não li nenhum livro do Prof. M. Vaz mas gosto muito de o ouvir.

Bom fim-de-semana!

Maite disse...

Cara Mitsou
Também penso que uma relação é feita de cumplicidades...de muitas "tarefas" a quatro mãos, aliás, penso que é isso que a faz sobreviver.
E concordo consigo quando diz "A comunicação perde-se quando, perante o mesmo, cada um vê letras diferentes.". Acho que falta o olhos nos olhos, que um teclado não consegue transmitir.
Quanto a MUROS, foi uma leitura um pouco díficil, no início, mas compensa, em tudo, o esforço de continuar. É uma história magnífica, contada com uma grande ternura.

Bom dia para si :)

Maite disse...

Alice
Tem toda a razão. Aliás aqui, imagine, que descobri depois do VIII capítulo, que o narrador também é, de facto, uma personagem :)

Bom fim de semana para si :)

Maite disse...

Caro Legível
Mas é irritante verificar que ele (o narrador)não se limita a narrar factos, mas tem o pretensiosismo de dar palpites e até orientar os passos das personagens. É irritante até se descobrir quem é o narrador. Depois percebe-se tudo. E até fiquei perplexa como conseguiu em 98% das vezes ser imparcial (isto é uma estatística minha) :)

Bom fim de semana para si e cá fico eu com Woody Allen.

Maite disse...

Pólux
Pronto...deu-me já uma ideia. Vou começar por esse filme de Woody Allen :) Vou verificar se esse seu "transporte telepático" se justifica ;)

Bom dia para si :)