quarta-feira, janeiro 04, 2006

Munch (por mim)

O horror
Estampado em faces ovais,
Réplicas sonoras
De um grito insondável
E profundo,
Cavado na própria desordem cósmica.
A angústia
Talhada nos recortes
De um horizonte diluido
Pela insistência atroz
da vulgaridade.
Ondas
Estonteantes de um céu
Impregnado do cheiro acre
da morte.

6 comentários:

Pólux disse...

(...)
Réplicas sonoras
De um grito insondável
E profundo,
Cavado na própria desordem cósmica.
(...)


Bonita homenagem a Munch e ao seu quadro, Maite.

Até já se rouba a ansiedade!

Abraço.

RAM disse...

Cara Maite,

Obrigado pela visita e pelos amáveis votos que retribuo.
Poderosa a imagem...
... mais poderosa ao vivo!
Você com Munch...
... eu com Al Berto
:)))
Fique bem,
;)

Maite disse...

Pólux,
Acha que consegui roubar a ansiedade ao quadro? ;)

Este quadro sempre me provocou um misto de admiração e horror. O uso peculiar que Munch faz das cores quentes e frias, que apesar de coexistirem nunca se misturam como dois universos alheios um ao outro, acaba por fazer salientar a angústia perturbadora que a figura humana transmite (na minha opinião, claro).

Maite disse...

Ram,
Nunca tive oportunidade de ver o quadro ao vivo...mas de repente lembrei-me de um quadro de Van Gogh “doze girassóis num vaso” que sempre me habituei a ver (uma serigrafia, claro) lá em casa e quando o vi ao vivo na National Gallery fiquei estupefacta.

É verdade, você com Al Berto e eu com Munch :) Duas visões (não muito longínquas) de uma quase mesma realidade!

Pólux disse...

Oh, referia-me ao roubo, do quadro do Museu de Oslo, que tem o nome do pintor, levado a cabo pela força das armas.
Mas a Maite consegue reproduzi-lo, e muito bem, na sua "tela".
Se pretendesse brincar, referiria, quando muito, furto e não roubo. :)

Maite disse...

Pólux :) eu também estava a brincar, acha que ousaria pensar que a minha descrição conseguiria esse efeito?!

Na realidade hoje consegue roubar-se tudo, por muito seguro que possa parecer estar :(